sábado, 14 de julho de 2012

A REALIDADE DAS COISAS


As coisas,
E tudo o que nelas habita,
E a elas se somam, representam,
E as traduzem..... Não passam,
De meras representações holográficas.

As coisas,
E suas realidades,
Concretudes e objetividades,
Habitam, somam,
Representam e traduzem,
Naquilo que se gera no gozo,
O gozo da realização,
Realização das coisas.

Tudo que se imagina, sonha,
Almeja, alveja,
E que não se faz dessa forma,
É matéria indigesta.
É ferida que nasce n’alma,
É trauma, é recalque,
É o que incomoda
É aquela pedra no sapato
É o mal estar instaurado

Aquilo que coça,
Arranha, maltrata,
E que não tem fim.

Eu poderia dizer,
Coisas mais,
Mas fico por aqui.
No que se refere às coisas,
Por esse momento me calo.

E por isso
Fico com as minhas coisas,
Com todas elas,
As recalcadas ou abortadas,
As realizadas e gozadas.........

Isso me basta,
E sejam elas como forem,
São minhas,
E somente minhas....

E suas coisas?
Onde estão?


domingo, 8 de julho de 2012

SOBRE NASCER E A VIA CRUCIS



Pessoas nascem,
Pessoas são,
Porque nascem,
Idiota constatação

Nascer não é o problema,
O problema reside em viver,
Aquela coisa do rebento...
Rebentar e vingar,
E buscar por toda sua existência,
O que fazer com isso.

Depois que se nasce,
É tudo estranho,
É tudo fardo,
É tudo caro,
É tudo incerto
É tudo medo

Nascer é coisa que não se pede
É arbitrariedade pura e concreta
É coisa que não se contesta

Morrer é fato,
É certeza.

Porém a morte
Não se nos revela arbitrária

Com ela podemos jogar
O periogoso jogo
Do livre arbritrio,

Morrer é inesperado,
Para quem espera.
E um evento,
Para quem a planeja.

Assim foi,é e será
Que nos diga Cleópatra,
Getúlio Vargas,
Florbela Espanca,
Deleuze,
E os Kamikazes
E outros tantos, muitos.

Morrer ou viver,
Para isso estamos ai,
Ainda,
Até enquanto pulsa.

A verdade,
É que enquanto eu escrevo
E enquanto alguém ler
Outro alguém já morreu,
E outro acaba de nascer

E o bom ou ruim,
Dessa conversa,
É o concenso,
De que tudo finda
Tudo “completa seu ciclo”

E o mundo.......
E o mundo não se acaba.

E isso era tudo.
Tudo o que eu esperava.
Mas algo em mim,
Ainda pulsa.

domingo, 1 de julho de 2012

SOBRE PAPIROS, GUTEMBERGE, A IMPRENSA E O TABLETE ( PRA NÃO DIZER TABLET)


Eu não te peço muito
Somente que large minha mão
Justamente na beira do abismo

Se caso eu escape
Por motivo qualquer
É porque tudo é
Ou haverá de ser

É porque não havia de ser
É porque algo devia ser partido
Seja entre eu e você
Seja entre eu e o mundo

Tudo se parte
Blocos de concreto
Placas de metal
Membros, tecidos
Células

Dividir
Transformar
Reagir
Refazer
Ressuscitar
Reencarnar

Tudo isso
Isso tudo
É discussão
Que a nada nos leva

É como postar algo no facebook
É como esse texto
Que será postado nessa ferramenta
E só será agora

Se leu, bem
Se não leu, passou
E nem se compara ao jornal impresso
Que ao menos servia de embrulho

E que nesse embrulho
De um jornal passado
E que ainda fosse
Embrulhado num peixe
Ou numa alface
Servia de encantamento

Para àquele que
Reclamava por noticias
Por leitura
Por letra qualquer

Por aquele
Que fazia do jornal seu leito
Seu manto, seu lençol, sua coberta

Pela materialidade do papel
Por tudo que se toca
Que se sente
Que se escreve
Que se nos inscreve

Pelo objeto
Pela coisa em si
Por aquilo que se carrega no braço
Pelo manuseio, pelo uso e o desgaste

Por aquela mania inexplicável
De passar folha por folha
Por passar a saliva no dedo
E deixar seu registro
Num rabisco, numa folha dobrada

Pelo aditos românticos
Pelos últimos românticos
Por aqueles que, só não leem
Por aqueles que cheiram
Por aqueles que tocam com respeito
Por aqueles que usam rosas como marcadores

Por esses
Por aqueles
Por todos outros
Por quem estará por vir