quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O SONHO DE ÍCARO



Eu durmo muito,
Eu perco a hora,
Eu perco a data,
Eu perco a linha,
Eu perco tudo......

Eu perco a mim mesmo,
Eu perco o trem da vida,
E padeço na mesma estação,
Todos os dias, todas as horas,
Como alguém que cativou um assento,
Que na inercia das coisas,
Todos os dias,
Ver o trem da vida passar,
E que nunca embarca,
Nunca toma um rumo,
Nunca desperta,
Com o estalo da vida,
Que nunca toma a iniciativa,
De se lançar no mundo,
Quando o trem apita,
E convida a se lançar,
No obscuro e no infinito,
Na incerteza das coisas,
Nos infortúnios da vida.

Porque o abismo é profundo,
E também incerto,
E o medo é latente,
Medo de não ter o pão,
Medo de perder o chão,
Medo de perder o teto,
Medo de ficar sozinho,
Medo do vazio,
Medo de VIVER.

Viver a realidade das coisas,
Da realidade da vida,
De encarar um jornal,
Como cama,
Numa noite fria.

Mas o que me falta,
São asas,
Porque com elas,
Não terei,
Necessidade de chão,
Com asas poderei voar,
Poderei migrar,
Como todas as aves o fazem,
Com asas,
Não teria preocupação,
Com terra firme,
Com ruas, ceps e endereço.
Com asas.....
Eu seria livre....

Com asas,
Eu veria tudo de cima,
E tudo seria tão pequeno,
Tão ínfimo,
E insignificante,
Eu que já fui anjo de procissão,
Encima de um andor,
Todo de branco e glorioso,
Onde estão minhas asas?
Eu preciso delas......

Márcio Castro em 26/08/16