domingo, 14 de janeiro de 2018

NO ESPELHO



Quem é você?
Que já não te vejo,
Nem consigo enxergar-te.
Diante desse reflexo.

Onde está você?
Em qual universo se perdeu?
Onde anda aquela frescura?
Aquela graça, aquela molecagem?
Aquele riso gratuito, aquela frescura?
Em qual bifurcação no caminho,
Se perdeu tudo aquilo que antes era vida errante?
Vida sem medo, vida sem fim, sem muro, sem cercas,
Onde haverá ficado aquela vontade imensa de mudar o mundo?

Em qual meio-fio de asfalto se perdeu a inocência pueril?
Em que estrada aquele menino ficou perdido?
Onde se perdeu tudo isso?
Quando se perdeu tudo isso?

Tudo isso............
Já se passou em horas,
Em dias, em anos, em décadas,
Em idas e vindas,
Em ganhos e perdas,
Em experiências e memórias,
Em lembranças e recordações,
Em coisas boas e coisas más,
Em rugas,
Em tempo,
Em vida.

E o que me resta,
É tão somente,
Essa imagem no ESPELHO.

Márcio Castro, em 14/01/2018.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

ALGODÃO DOCE



Quando criança,
Eu adorava comer algodão doce,
Os brancos,
Porque assim,
Na minha fantasia,
Eu imaginava comer nuvens,
E sentir o gosto do CÉU.

Márcio Castro em 23/08/2017

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A CAVALO DADO



Algum dia,
Quando, eu não sei,
Irei cobrar no futuro,
O que o passado não me regalou,
Por merecimento,
Ou reparação.

Agora, tudo é presente,
Ou só presente,
E como diz o velho ditado......

“A cavalo dado, não se olha os dentes”.

É presente,
E eu recebo.

Marcio Castro, em 18/08/17

quinta-feira, 20 de julho de 2017

ENTRE AMIGOS E AMORES


AMIGO,
É palavra semanticamente,
Carregada de significados,
Amigo é aquele que não é família,
Que não se escolhe,
Que está sempre ao seu lado,
Que não te esquece,
Que te acolhe,
Que te afaga,
Que estende a mão,
Que te socorre.

Amigo é aquele,
Que não te deixa cair,
E ainda que você caia,
Te levanta,
Amigo é para toda hora
Amigo é para tudo
AMIGO, dentro dessa definição,
É uma UTOPIA.

Por isso eu acredito,
Que NUNCA tive,
Nem ao menos cultivei,
AMIGOS.

Eu sempre tive,
Acredito e acho,
AMORES,
Nessa caminhada da vida.

Porque os AMORES que cultivei,
Nunca foram perfeitos,
Sempre foram humanos,
Sempre apontaram meus defeitos,
Mas nunca esqueceram minhas virtudes,

Esses AMORES,
Sempre apontaram meus ERROS,
Não como crítica,
Mas como forma de buscar,
Tornar-me uma pessoa melhor,
Nunca fizeram nada menos,
Que apontar um horizonte possível,
Dentro do que sou e das minhas possibilidades,
Esses foram, são e sempre serão.....
Meus AMORES.
E são poucos,
Muito poucos.
Mas são suficientes.

Márcio Castro em 21/07/2017

domingo, 12 de março de 2017

POEMA DO HOMEM QUE NÃO VER


Eu queria,
Mas eu queria tanto,
Poder calar tua boca,
Abrir teus olhos,
Expandir teus ouvidos,
Eu queria tanto,
Como eu queria.

Não por mim,
Nem por ti,
Mas pela vida,
Que é longa,
E breve,
Ao mesmo tempo.

Que se faz com o tempo,
E o tempo é agua,
Que escorre pelas mãos,
É rio que corre,
E nunca é o mesmo,
Porque a água não para.

Eu queria ter,
Um milhão de coisas,
Para te contar na surdina,
Num canto nosso,
Onde ninguém mais,
Pudesse chegar e ouvir.

Mas não somos,
Somente nós agora,
Somos muitos,
Somos parte,
De um todo.

De tudo,
Que muitas vezes,
Não é tudo,
Nem é todo,
Nem me abarca,
Nem me abrange,
Nem me inclui.

E nesse todo,
Existe uma poeira,
Uma réstia de memória,
Onde reflete minha imagem.

Eu já nem sou tudo,
Nem sou todo,
Mas existo.

Existo naquele canto,
Bem no fundo das coisas,
Naquela caixa de objetos,
Que não se consegue jogar fora,
Na memória das coisas,
Que não se consegue,
Deixar para trás,
Porque não é passado,
Nem presente,
Nem futuro,
Simplesmente são,
E não dependem de nós.
Nem depende.

Existem coisas,
Que evoluem,
Outras coisas,
Que almejam,
Outras que só pensam,
Que evoluíram.

Humildade,
Soberba,
Orgulho,
Empáfia,
Engano,
É tudo,
Um ponto de vista.

Márcio Castro, em 12/03/17

segunda-feira, 6 de março de 2017

TUDO



Para quem quer TUDO,
TUDO basta,

Para mim,
TUDO é pouco,
Ou ficou FALTANDO.

Márcio Castro, em 30/10/12

quinta-feira, 2 de março de 2017

O AVESSO DO AVESSO


Eu, por ter sido sempre torto,
Pelo avesso,
Errado e errante,
Por ter sido sempre,
Aquele que almeja,
Que espera,
E que sonha.

Por ter sido sempre assim,
Eu não possuo medida,
Nem parâmetro,
Nem esquadro,
Nem régua,
Nem roteiro,
Nem rumo,
Nem filtro,
Nem freio.

Nem isso,
Tão pouco aquilo,
Eu não possuo nada,
Que não seja a própria vida,
Ainda que muitas incansáveis vezes,
Eu não saiba nem o que fazer com ela,
Mas a tenho, é minha, e só minha, de mais ninguém.

Pago diária e rotineiramente,
Todos os preços por mantê-la até hoje,
E vou vivendo,
Porque todo dia o sol nasce,
E não me pede licença,
A estrada é longa, árdua,
Cheia de pedras e obstá-los,
Mas deve ser trilhada.

Enquanto isso,
Eu vou seguindo,
Enquanto algo quente,
Escorrer por minhas veias,
Enquanto algo em mim pulsar,
Eu vou sendo,
Eu vou seguindo.

Como um trem desgovernado,
Como uma nau sem timão,
Como um automóvel sem freio,
Eu vou seguindo,
Sem rumo, sem vela, sem direção.

Na busca de chegar,
A lugar algum,
Porque o destino,
É coisa incerta,
É aquilo que se busca,
E nunca alcança.

É o desejo,
Quase materializado,
Mas que nunca se materializa,
Porque saciedade,
É coisa que não se atinge,
É como uma coceira que se atiça,
Mas que nunca passa a vontade,
É ferida aberta,
Que nunca sara.

Márcio Castro, em 03/03/2017